O verão brasileiro castiga não apenas as pessoas, mas também o maquinário industrial pesado. Em uma oficina de caldeiraria, por exemplo, a temperatura ambiente elevada torna-se um inimigo silencioso e perigoso para as calandras.

Sistemas hidráulicos dependem inteiramente das propriedades físicas do óleo para transmitir força e movimento. Quando a temperatura sobe excessivamente, essa capacidade de transmissão fica comprometida de forma severa.

Muitos operadores notam que a máquina fica “lenta” ou perde força nas tardes mais quentes da estação. E isso é o sintoma clássico de que o fluido perdeu sua viscosidade ideal por causa do calor.

Ignorar esse aviso térmico pode resultar em danos catastróficos para bombas, válvulas e vedações. O custo para reparar uma unidade hidráulica fundida é infinitamente maior que o custo de prevenir o aquecimento.

Entender a termodinâmica da sua máquina é o primeiro passo para garantir a longevidade do equipamento. Não basta apenas completar o nível do reservatório; é preciso gerenciar a temperatura de trabalho.

Neste artigo, vamos mergulhar nas causas e soluções para o aquecimento excessivo em sistemas hidráulicos. Prepare sua oficina para enfrentar os dias mais quentes do ano sem paradas inesperadas. Confira!

O que acontece quando o óleo fica muito quente

O óleo hidráulico possui uma característica física chamada viscosidade, que determina sua resistência para fluir. Quando aquecido, o óleo “afina”, tornando-se muito líquido, quase como água.

Essa perda de corpo impede que o fluido crie uma película protetora entre as peças metálicas móveis. Sem esta, ocorre o contato direto entre metal e metal dentro da bomba e dos pistões.

O atrito resultante gera ainda mais calor, criando um ciclo destrutivo e vicioso. O desgaste prematuro das peças internas acelera, liberando limalha de ferro na circulação do sistema.

Além disso, a baixa viscosidade de fluidos aumenta os vazamentos internos nas válvulas direcionais. A máquina perde precisão nos movimentos e não consegue segurar a pressão de fechamento dos rolos.

As vedações de borracha e polímeros também sofrem com a temperatura elevada constante. Elas ressecam, racham e perdem a elasticidade necessária para vedar o sistema sob alta pressão.

O resultado é um chão de fábrica sujo de óleo e uma máquina sem força para dobrar chapas. A degradação química do óleo também ocorre, formando borras que entopem filtros e canais.

Por fim, o superaquecimento reduz a vida útil do próprio fluido, exigindo trocas muito mais frequentes. O que deveria durar duas mil horas, acaba durando metade desse tempo.

Causas comuns do superaquecimento na calandra

A causa mais frequente é a sujeira acumulada nos radiadores ou trocadores de calor da máquina. A poeira da oficina cria uma “coberta” sobre as aletas, impedindo a troca térmica com o ar.

Outro fator comum é o nível baixo de óleo no reservatório da unidade hidráulica. Com menos fluido circulando, o tempo de repouso no tanque diminui, impedindo que o calor se dissipe.

O dimensionamento incorreto das tubulações ou curvas excessivas também gera atrito fluido, que se converte em calor. Adaptações malfeitas ou gambiarras hidráulicas são vilãs frequentes nesse cenário.

Trabalhar com a máquina sempre no limite máximo de carga força a válvula de alívio a abrir constantemente. Quando o óleo passa pela válvula de alívio sob pressão, ele aquece instantaneamente por laminação.

A escolha errada do tipo de óleo para o clima tropical brasileiro também contribui para o problema. Usar um óleo muito fino em uma região quente facilita o afinamento precoce do fluido.

A falta de ventilação adequada no local onde a máquina está instalada agrava a situação térmica. Se o ar em volta da máquina já está quente, o radiador não consegue resfriar o sistema.

Por último, componentes desgastados, como bombas com fuga interna, geram calor excessivo por ineficiência. A energia que não vira trabalho mecânico, vira calor indesejado.

Soluções técnicas: trocadores de calor e ventilação

A solução definitiva para máquinas que operam em regime severo é a instalação de trocadores de calor eficientes. Existem modelos ar-óleo (radiadores com ventoinha) e modelos água-óleo (casco e tubo).

Para a maioria das oficinas, o modelo ar-óleo é mais prático e fácil de instalar. Ele força a passagem de ar fresco pelas aletas onde o óleo quente circula, baixando a temperatura.

É necessário dimensionar o trocador corretamente para a vazão da bomba e a carga térmica gerada. Um trocador pequeno demais não fará diferença alguma nos dias de pico de calor.

Além do hardware, verifique a circulação de ar no galpão industrial. Posicionar ventiladores industriais apontados para a unidade hidráulica ajuda na convecção natural do calor.

Mantenha o trocador de calor sempre limpo, usando ar comprimido para soprar a poeira das aletas semanalmente. Essa rotina simples de limpeza restaura a eficiência térmica do componente imediatamente.

Considere instalar um termostato que aciona a ventoinha apenas quando a temperatura atinge certo ponto. Isso economiza energia e mantém o óleo na faixa ideal de operação, nem muito frio, nem muito quente.

O monitoramento de temperatura deve ser constante, usando termômetros instalados no tanque. Se passar de 60 °C ou 70 °C, pare a máquina e investigue a causa.

A importância da viscosidade correta (ISO 68 x ISO 46)

No Brasil, muitos fabricantes recomendam o uso do óleo ISO 68 para equipamentos pesados no verão.

Ele é mais “grosso” que o ISO 46, mantendo melhor a película lubrificante em altas temperaturas. Ele oferece uma proteção extra quando o termômetro da fábrica passa dos 30 °C.

No entanto, a troca de viscosidade deve ser avaliada conforme o manual do fabricante da bomba. Algumas bombas de palheta ou pistão possuem restrições quanto a óleos muito viscosos na partida a frio.

Misturar óleos de viscosidades ou marcas diferentes é um erro grave que deve ser evitado. Os aditivos químicos podem reagir entre si, criando espumas ou borras que anulam a proteção.

Verifique as especificações de ISO 68 e de normas antes de comprar o tambor de óleo. A economia de comprar óleo “a granel” sem procedência pode custar a sua bomba hidráulica.

Se sua região tem invernos rigorosos (Sul do país), talvez seja necessário usar ISO 46 no inverno e o 68 no verão. Esse manejo exige planejamento e controle rigoroso do estoque de lubrificantes.

Analise periodicamente a condição do óleo, verificando a cor e o cheiro de queimado. Óleo escuro e com cheiro forte indica oxidação térmica e deve ser trocado imediatamente.

Proteja sua calandra com a Casa da Calandra

O verão não precisa ser sinônimo de máquina parada ou produção lenta na sua empresa. Com as medidas preventivas certas, sua calandra pode operar na capacidade máxima, mesmo nos dias mais quentes.

A Casa da Calandra oferece suporte completo para dimensionar e instalar sistemas de refrigeração na sua máquina. Temos peças de reposição e trocadores de calor prontos para instalação.

Nossa equipe técnica pode avaliar se o seu sistema hidráulico está sofrendo com desgaste ou apenas calor. Realizamos serviços de reforma para recuperar unidades hidráulicas cansadas e ineficientes.

Não espere o óleo ferver e as vedações estourarem para tomar uma atitude. A prevenção custa uma fração do reparo corretivo de emergência.

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