A lubrificação correta é, sem dúvida, o fator isolado que mais influencia a vida útil de uma máquina pesada. No entanto, em muitas oficinas, essa tarefa crítica é negligenciada ou feita de forma inconsistente.
O método manual tradicional depende inteiramente da memória e da disciplina do operador. Ele precisa parar a produção, pegar a bomba de graxa e acessar pontos, muitas vezes, difíceis ou perigosos.
O resultado é previsível: pontos escondidos são esquecidos, e a máquina trabalha de forma “seca” até que um rolamento trave. O custo de um rolamento grande de calandra e a parada de produção superam de longe o custo da graxa economizada.
Para resolver esse dilema humano, a indústria desenvolveu o sistema de lubrificação centralizada. Essa tecnologia automatiza a entrega de lubrificante, garantindo que cada ponto receba a dose exata no momento certo.
Muitos empresários ainda veem esse sistema como um luxo desnecessário ou um custo extra na compra da máquina. Porém, ao analisar os dados de manutenção, a centralização se revela um investimento de retorno rápido.
Neste artigo, vamos quebrar o mito de que lubrificação automática é “coisa de multinacional”. Você verá como essa tecnologia é acessível e pode salvar sua calandra de quebras catastróficas.
O problema da lubrificação manual dependente
A lubrificação manual sofre com dois extremos perigosos: a falta e o excesso de lubrificante. Quando o operador esquece, o atrito metal-metal gera calor, desgaste prematuro e microtrincas nos eixos.
Quando ele lembra, muitas vezes, tenta compensar o esquecimento injetando graxa em excesso. O excesso de pressão pode estourar retentores e vedadores, permitindo a entrada de poeira abrasiva no mancal.
Além disso, a graxa em excesso vaza para o ambiente, sujando o chão e a própria chapa que está sendo calandrada. Isso gera desperdício de insumos e cria um risco de segurança no ambiente de trabalho.
Outro ponto crítico é a acessibilidade dos pontos de graxa (graxeiras) na estrutura da máquina. Em calandras grandes, alguns pontos ficam no alto ou dentro da carenagem, exigindo que a máquina pare para o acesso.
Para não parar a produção e perder o bônus de produtividade, o operador, muitas vezes, ignora esses pontos difíceis. A máquina continua rodando silenciosamente até que o componente interno falhe de vez.
A contaminação da graxa também é um risco constante no processo manual. O bico da engraxadeira manual costuma acumular poeira da oficina, que é injetada para dentro do rolamento junto com a graxa nova.
A dependência do fator humano introduz uma variável incontrolável na gestão da manutenção. Mesmo o melhor funcionário pode esquecer uma tarefa rotineira.
Como funciona o sistema centralizado
O sistema de lubrificação centralizada elimina a bomba manual e a necessidade de acessar cada ponto individualmente. Ele consiste em um reservatório central, uma bomba (elétrica ou pneumática) e uma rede de tubos.
A bomba envia o lubrificante pressurizado através de uma linha principal para distribuidores dosadores. Estes são calibrados para entregar a quantidade exata (miligramas) de graxa para cada ponto conectado.
O sistema pode operar por tempo (ciclos de injeção a cada X minutos) ou por ciclos da máquina, de modo a garantir que a lubrificação ocorra enquanto a máquina está em movimento, o que é ideal para a distribuição da película.
Quando o rolamento recebe graxa em movimento, o lubrificante se espalha uniformemente por todas as esferas ou roletes. Na lubrificação manual, feita com a máquina parada, a graxa tende a ficar concentrada em apenas um lado.
Existem sistemas de linha simples, linha dupla e progressivos, cada um adequado para um tamanho de máquina. Para calandras, os sistemas progressivos são muito comuns pela robustez e facilidade de monitoramento.
Segurança do trabalho e NR-12
A segurança do operador é um argumento de peso para adotar a automatização da lubrificação. As normas de segurança exigem que intervenções na máquina sejam feitas com ela parada e bloqueada.
No entanto, a cultura antiga de “engraxar rapidinho” com a máquina rodando ainda causa muitos acidentes graves. Dedos e mãos são perdidos anualmente porque alguém tentou alcançar uma graxeira perto de uma engrenagem em movimento.
Com o sistema centralizado, o operador não precisa se aproximar das zonas de perigo para lubrificar. O reservatório de graxa fica localizado em um local seguro e acessível, longe dos rolos e correntes.
A ergonomia também melhora, pois o operador não precisa subir em escadas ou se contorcer para atingir pontos baixos. O reabastecimento do reservatório é feito em altura confortável e ergonômica.
Investir em segurança não é apenas cumprir a lei, é garantir que sua equipe volte inteira para casa.
Economia de lubrificante e peças
Muitos gestores se assustam com o custo inicial de instalação do kit de lubrificação automática. Porém, o cálculo do Retorno sobre o Investimento (ROI) mostra que a conta fecha rapidamente.
Primeiro, há uma redução de custos direta no consumo de graxa. Sistemas automáticos consomem até 50% menos lubrificante que o método manual, pois não há desperdício nem excesso.
Segundo, a vida útil dos rolamentos e buchas de bronze aumenta drasticamente. Um jogo de buchas de uma calandra pesada custa caro, sem contar o valor da mão de obra para desmontar o eixo.
Estender a vida útil desses componentes em 30% ou 40% já paga o sistema de lubrificação no primeiro ano. Menos paradas para troca de peças significam mais horas de máquina produzindo faturamento.
O uso de graxas industriais de alta performance torna-se viável, pois o consumo é controlado.
Instale com quem entende: Casa da Calandra
Não adianta comprar um kit genérico na internet e instalar de qualquer jeito com mangueiras inadequadas. O dimensionamento da bomba e dos dosadores precisa ser calculado conforme a necessidade de cada mancal.
Fale conosco e entenda mais sobre como instalar a lubrificação centralizada na sua calandra.