A calandragem parece, à primeira vista, um processo extremamente simples, de apenas passar uma chapa entre rolos giratórios. No entanto, trata-se de uma técnica cheia de nuances físicas e mecânicas que pegam os iniciantes de surpresa.

Pequenos erros de operação ou ajuste podem resultar em perda total do material ou, pior, danos permanentes para a máquina. O custo disso, desperdiçando aço e tempo, pode ser muito alto para uma oficina pequena.

Conhecer os erros clássicos e teóricos é a melhor forma de atingir a excelência operacional rapidamente. A maioria das falhas ocorre não por falta de habilidade manual, mas por falta de conhecimento técnico ou pressa na execução.

Mesmo operadores experientes podem cair em vícios de trabalho perigosos que comprometem a qualidade final. A reciclagem constante de conhecimento mostra-se necessária para manter o padrão de qualidade elevado.

Neste artigo, vamos listar os erros mais frequentes nas caldeirarias e como você pode evitá-los desde o primeiro dia. Domine a técnica correta e evite prejuízos desnecessários para o caixa da sua empresa.

Pontas planas (flat ends)

O erro mais visível e comum na calandragem é a parte reta que sobra no início e no fim da chapa curvada. Isso ocorre por causa da geometria da máquina: a distância entre os rolos inferiores impede que as extremidades sejam apoiadas e curvadas corretamente.

Muitos iniciantes tentam resolver isso cortando as pontas depois de calandrar, o que gera um desperdício enorme de material e tempo. Além disso, se o corte não for perfeito, a peça fica fora de medida.

A solução técnica correta para este problema chama-se pré-dobra. Ela consiste em curvar as extremidades da chapa nas bordas da máquina ou em uma prensa, antes de passar o corpo inteiro pelos rolos.

Alinhamento incorreto e peças cônicas

Você ajusta a máquina para fazer um tubo cilíndrico perfeito, mas sai um cone ou um espiral distorcido. Esse é o sintoma clássico de desalinhamento dos rolos ou de alimentação incorreta da chapa.

Se a chapa não entrar perfeitamente perpendicular (no esquadro) para os rolos, ela vai “andar” para o lado durante o processo. Isso cria uma geometria espiralada que é praticamente impossível de corrigir depois sem estragar a peça.

Outra causa comum é a pressão desigual entre os lados esquerdo e direito dos rolos de aperto. Se um deles aperta mais a chapa, o raio naquele ponto será menor, gerando uma peça cônica não intencional.

Desconhecimento do efeito mola (springback)

O metal é um material elástico; quando você o dobra, ele tende a tentar voltar para sua forma original plana. Esse fenômeno físico é chamado de recuperação elástica ou, em inglês, efeito springback.

Um erro muito comum é ajustar a máquina exatamente para o diâmetro final desejado no projeto. No momento de retirar a pressão dos rolos, a peça “abre” e fica com um diâmetro maior do que o solicitado.

Cada material tem um índice de springback diferente, e isso confunde os iniciantes. Os aços inoxidáveis, por exemplo, possuem um retorno elástico muito maior que o aço-carbono comum.

O alumínio também tem suas particularidades, variando muito dependendo da liga e da têmpera. Ligas mais duras tendem a voltar mais, exigindo maior compensação na máquina.

A experiência prática ensina quanto compensar, mas tabelas técnicas de metalurgia ajudam muito no início. Fazer testes em retalhos (corpos de prova) do mesmo material é uma prática recomendada antes de arriscar a chapa final.

Sobrecarga e danos à superfície

A pressa é a maior inimiga da perfeição na calandragem. Tentar atingir o raio final em uma única passada (single pass) é um erro grave, especialmente quando se trabalha com chapas grossas.

Isso sobrecarrega o motor, força as engrenagens e pode deformar os eixos dos rolos permanentemente. 

Além disso, a pressão excessiva marca profundamente a superfície das chapas de aços, criando sulcos ou “escamas”.

Outro erro frequente é calandrar materiais sujos ou oxidados sem limpar os rolos depois. A sujeira incrustada nos rolos vai marcar todas as peças subsequentes como um carimbo. 

Para proteger superfícies delicadas, use rolos de reposição retificados ou proteja a chapa com filmes plásticos adesivos.

Falta de lubrificação e manutenção básica

Muitos operadores esquecem que a calandra é uma máquina que opera sob altíssima pressão e atrito. A falta de lubrificação nos pontos de giro aumenta o esforço do motor e o desgaste das peças.

Crie uma rotina de manutenção industrial com verificação de óleo (se for hidráulica) e graxa antes de cada turno. Um minuto de inspeção pode economizar dias de máquina parada na oficina.

Utilize os suportes corretos para peças longas, evitando forçar a saída da máquina. Improvisar apoios pode causar acidentes e danificar a máquina ou a calandra de perfil, por exemplo.

Respeite o equipamento e siga o manual do fabricante. Uma máquina bem cuidada retribui com anos de serviço preciso e lucrativo.

Evitar esses erros básicos economiza dinheiro, tempo e material, protegendo a margem de lucro da sua oficina. Mas lembre: mesmo o melhor operador do mundo precisa de uma máquina confiável e precisa para entregar resultados de excelência.

Não deixe que equipamentos ruins ou obsoletos limitem seu aprendizado e sua produção. 

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