A calandragem de chapas é um processo que exige uma combinação de força e precisão. Embora o conceito de curvar metal entre rolos pareça simples, a execução perfeita depende de técnica e atenção aos detalhes.
Erros na operação de calandragem são caros. Eles resultam em perda de material, retrabalho e, em casos graves, danos permanentes ao equipamento.
Muitos desses erros são recorrentes e podem ser evitados com o treinamento adequado. A falta de conhecimento técnico é a raiz da maioria dos problemas na conformação.
Conhecer as falhas mais comuns é o primeiro passo para evitá-las, uma vez que permite otimizar o processo, garantir a qualidade da peça final e aumentar a segurança da operação.
Neste artigo, analisamos a rotina de produção e listamos os cinco erros mais comuns. Veja como identificá-los e corrigi-los antes que causem prejuízos.
Confira abaixo e boa leitura!
Erro 1: Ajuste incorreto da pressão dos rolos
O erro mais comum na calandragem é o ajuste incorreto da pressão dos rolos. A pressão determina diretamente o raio final da curvatura.
Se ela for excessiva, o material pode ser deformado permanentemente, o que pode causar o afinamento da chapa ou até mesmo trincas, especialmente em materiais mais duros.
Por outro lado, uma pressão insuficiente é igualmente problemática. A chapa não atingirá o raio desejado, exigindo múltiplas passadas desnecessárias ou resultando em uma peça fora de especificação.
Um sintoma comum de pressão mal ajustada é a “barriga” no centro da chapa, que ocorre quando os rolos centrais estão com mais pressão que as extremidades.
O operador deve conhecer a resistência do material e ajustar a máquina gradualmente. É sempre melhor começar com menos pressão e aumentá-la em passadas controladas.
Erro 2: Desprezar o “efeito mola” (springback) do material
O “efeito mola”, ou springback, é um fenômeno natural em que o metal tende a retornar parcialmente à sua forma original após a pressão ser removida. Ignorar esse efeito é um erro clássico de operadores inexperientes.
Cada material possui um grau diferente de springback. Por exemplo, o aço inoxidável tem um efeito mola muito maior do que o aço-carbono comum.
O operador não pode simplesmente ajustar a calandra para o raio final desejado. É necessário “sobrecurvar” a peça, ou seja, aplicar um raio ligeiramente menor do que o especificado no projeto.
Quando o efeito mola atuar, a peça “abrirá” levemente. Se o cálculo for feito corretamente, ela atingirá o raio exato que o projeto necessita. Sem esse conhecimento, o operador produzirá peças com raios maiores que o solicitado.
Erro 3: Alimentação desalinhada da chapa
A forma como a chapa ou o perfil é inserido na calandra é outro ponto de extrema atenção. A peça deve entrar na máquina perfeitamente alinhada e em esquadro com os rolos.
Se a chapa for alimentada “torta” ou enviesada, o resultado será desastroso. A máquina não produzirá um cilindro perfeito, mas sim uma forma cônica ou espiralada.
Esse desalinhamento causa uma distribuição desigual de pressão. Um lado da chapa será curvado mais do que o outro.
Corrigir uma peça calandrada de forma cônica é quase impossível. Na maioria dos casos, o material é perdido e precisa ser sucateado.
O uso correto das guias laterais da máquina é essencial. Elas garantem que a chapa se mantenha no esquadro durante todo o processo de passagem pelos rolos.
Erro 4: Falta de limpeza e manutenção dos rolos
Os rolos da calandra são a alma do processo. A condição de sua superfície impacta diretamente o acabamento da peça final.
Muitos operadores negligenciam a limpeza dos rolos entre os trabalhos. Limalhas, carepas de laminação ou sujeira podem ficar incrustadas na superfície do rolo.
Quando a chapa passa sob pressão, esses detritos agem como pequenas prensas. Eles marcam, riscam e contaminam a superfície do material que está sendo curvado.
Este problema é especialmente crítico ao trabalhar com materiais nobres. Aço inox e alumínio, que dependem de um acabamento superficial perfeito, podem ser arruinados por rolos sujos.
A limpeza deve ser uma rotina diária. Além disso, os próprios rolos devem ser inspecionados quanto a amassados ou desgastes, que também transferem imperfeições para a peça.
Erro 5: Desconhecimento técnico do material
Operar uma calandra sem entender as propriedades do material é como dirigir no escuro. Aço-carbono, aço inoxidável, alumínio e ligas especiais se comportam de maneiras drasticamente diferentes.
O operador da calandra precisa conhecer a dureza, a maleabilidade e o limite de escoamento do metal. O aço inox, por exemplo, “encrua” (endurece) rapidamente e exige mais força da máquina.
O alumínio, por ser mais macio, pode amassar ou trincar facilmente se a velocidade de conformação for muito alta. Já chapas de aço-carbono de alta espessura exigem uma abordagem lenta e gradual.
Tentar calandrar uma chapa grossa ou um material muito duro em uma única passada pode sobrecarregar o motor. Isso pode quebrar engrenagens ou danificar o sistema hidráulico da máquina.
Por isso, o treinamento técnico é indispensável. O operador deve saber ler uma ficha técnica de material e traduzir essa informação para os parâmetros de ajuste da calandra.
Evitar esses erros comuns transforma sua operação de calandragem, reduzindo custos e aumentando a qualidade. A precisão começa com o conhecimento técnico, mas depende fundamentalmente de um equipamento confiável e bem ajustado.
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